Neste feriado de carnaval fomos para o acampamento das crianças da igreja central. Mas o acampamento daqui não é como o do Brasil. Para começar, o lugar não é uma maravilha como os nossos sítios de Tinguá – RJ. Pois é, Tinguá não é isso tudo, mas comparado ao sítio daqui, ele vira um Hotel Fazenda cinco estrelas.
Nosso banheiro não tinha água, tudo lá era no baldinho. Não tinha tampa no vaso nem descarga. Também não tínhamos cozinha, era tudo feito no chão do quintal. E apesar de ter sido feita em um lugar nada legal, a comida desse acampamento estava muito boa. Eu só não bebia o suco deles por causa da água, que para eles não tem problema, eles estão acostumados. Mas o resto estava muito bom.
Também não tínhamos eletricidade, mas tínhamos um gerador, que não era lá essas coisas, mas deu pro gasto. Só o usávamos durante a noite. Durante o dia era muito quente, e durante a noite quase morríamos de frio. É sério, estou resfriada até. A casa onde dormimos parecia uma casa abandonada, sem porta nos quartos, paredes quebradas, tudo no cimento velho. É até estranho, mas nos acampamentos daqui, cada um leva o seu balde e a sua canequinha pra tomar banho. Eu fiquei pensando se no Brasil fosse desse jeito. Imagine só! Além das malas ainda tem o baldinho, que é carregado na mão.
A diversão era pular corda, jogar futebol, danças africanas, jogar bola, jogar bola e jogar bola. Não tínhamos quadra, campo, nem piscina. Nosso auditório era uma área coberta como se fosse um grande bangalô. E acredite, era tudo muito divertido.
Na segunda-feira pela manhã fomos à praia, que na verdade não é praia, é um “braço do rio” que desagua na praia. Andamos um bocado até chegar a tal “praia”, e no meio do caminho pegamos o bloco de carnaval desfilando. Foi assustador! Era a etnia balanta, a etnia com a qual trabalho na minha igreja. Só que eu trabalho com os Balantas convertidos. E neste caso eram os Balantas fazendo cerimônias e rituais, vestidos de palha e com o rosto pintado de branco. O som deles é opressor. Eles vinham correndo e gritando. E levantavam a poeira do chão batido de terra. Naquela hora eu disse pra mim mesma: “realmente estou na África”.
Mesmo com os desafios que encontrei lá, não posso negar que foi muito bom passar esses dias com as crianças. Elas me lembraram de que vale muito a pena ficar em Bissau. Pude ver que temos muito no Brasil e não damos valor. Poxa, eu sou rata de acampamento, eu cresci indo para acampamentos, já trabalhei no AMA, já acampei em barraca na praia, e já reclamei muito. Mas nesses dias vi que tenho o suficiente. Preciso parar de reclamar. Jesus teve menos ainda e era Rei. Por que eu precisaria de mais?
Nossa equipe
Na estrada
Nossa cozinha
Os Balantas
Os Balantas
A tal "praia"
Nosso auditório
Classe de 9 à 11 anos
Servindo a salada
Fila do almoço
Hora de comer
Culto
Davi e as ovelhas
Canchungo - Guiné Bissau















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Gisele