
Quero falar sobre alguns trechos do livro que li esta manhã. Nesse tempo que estou passando aqui em Bissau tenho pensado em muitas coisas. Penso na frustração de não dar conta do recado, sinto medo, e ao mesmo tempo quero avançar, não olhar pra trás, e simplesmente confiar em Deus. Ou seja, sou humana, e como qualquer outra pessoa que sai de casa, e tem responsabilidades, sou assaltada pelas dúvidas no passar dos dias.
A realidade da vida requer que homens e mulheres cristãos abandonem o que é estabelecido, óbvio e seguro e adentrem o deserto sem nenhuma explicação racional que explique suas decisões e lhes garantam o futuro. Por quê? Pura e simplesmente porque Deus sinaliza nessa direção e oferece-a com sua promessa.
Depois de dois mil anos de história da igreja, por que menos de um terço da população mundial é cristã? Por que é tão opaca a personalidade de tantos devotos? Por que Friedrich Nietzsche repreendeu os cristãos por “não aparentarem estarem salvos”? Por que é tão raro ouvirmos o que o velho advogado disse de John Vianney: “Algo extraordinário aconteceu-me hoje: vi Cristo num homem”? Por que nosso contagiante entusiasmo, alegria e gratidão não infectam outros com o anseio por Cristo? Por que estão o fogo e o espírito de Pedro e Paulo tão claramente ausentes de nossa pálida existência?
Jesus define Deus como Amor. À luz dessa revelação devemos abandonar a estrutura cancerosa de vermes do legalismo, do moralismo e do perfeccionismo que corrompem a Boa Nova, fazendo dela um código ético ao invés de um caso de amor.
Temos sempre de deixar algo para trás e não olhar para trás.
Deus não elege necessariamente os que têm um pedigree irrepreensível para fazer sua obra neste mundo. Muitos deixam de receber a bênção de ministrar aos outros por causa da crença que Deus usa apenas os perfeitos... Deus com frequência usa os que têm as maiores falhas, ou que passaram por muita dor, para realizar tarefas vitais no seu reino... Ninguém está arrebentado demais para ser usado por Deus.
Não é Deus que nos revela Jesus, é Jesus que nos revela Deus. Não podemos deduzir nada sobre Jesus do que pensamos que sabemos a respeito de Deus; devemos deduzir tudo a respeito de Deus do que sabemos sobre Jesus.
Hoje esses trechos me fizeram voltar para a direção, para o foco, para o alvo, que é Cristo. Comigo é assim que funciona. Às vezes preciso voltar à essência. Lembrar-me de quem sou em Cristo e do motivo pelo qual vim para Bissau. Ao longo de nossa caminhada com Cristo nos deparamos com a nossa realidade e nos sentimos pequenos diante de tanta coisa a ser feita dentro de nós e através de nós. Guiné Bissau é o sexto país mais pobre do mundo. O que encontramos aqui é chocante. Ao ver coisas que antes só ouvia falar, chego à conclusão de que eu não vou mudar a história da República da Guiné-Bissau e não vou acabar com a fome. Posso apenas orar pelos guineenses, anunciar o reino de Deus e, como disse várias vezes aqui no blog, ser Jesus para alguém.
Se por acaso você se sente como eu, pequena, sem direção, e com medo, lembre-se desses trechos. Fez-me bem! A dica é muito boa. Leia o livro Assinatura de Jesus.
Comentários
ps.: Estou daqui orando por vocês aí.
Irmã, que o Pai esteja com vc te dando forças e direçionamento!
Um abraço á vc e as meninas...a "Tchéla" (Marcela), Rebeca, Sulla...que Deus as abençoe mais e mais e que o Espírito Santo dê o crescimento deste trabalho.
Gi