Uma breve reflexão sobre iniciação esportiva
Por Cecília Marcelino Rigo
Todo indivíduo tem seu primeiro
contato com a prática esportiva antes de desenvolver suas habilidades no
esporte desejado. É possível notar que um craque não é feito de um dia para o
outro, assim como também, não se adquire massa muscular com o poder da mente.
Para tudo na vida há um começo, um início. Primeiro andar para aprender a
correr, ouvir para aprender a falar, e no esporte segue-se a mesma regrinha
básica.
Para a inserção de um indivíduo
em uma prática esportiva é preciso considerar dois pilares da iniciação
esportiva, o Genótipo e o Fenótipo. O primeiro diz respeito à genética,
características biológicas do indivíduo que poderão beneficiá-lo em certas
modalidades, ao mesmo passo que também poderão prejudicá-lo em outras. Porém,
isso não quer dizer que o treinamento não possa gerar adaptações para que os
prejuízos genéticos sejam modificados e driblados. O segundo, diz respeito ao
ambiente em que este indivíduo está inserido, a cultura. De modo que, por mais
que ele tenha uma predisposição genética à uma modalidade específica, caso ele
não tenha o contato com essa modalidade, pode ser que ele nunca se descubra
nesta nela, e ao invés disso acaba tendendo para a prática de outro esporte,
que geralmente é o esporte midiático. Outro ponto importante do fenótipo é que,
na maioria das vezes, ele é mais forte que o genótipo, pois a cultura
influencia o indivíduo durante toda sua vida, enquanto que o genótipo se
restringe ao nascimento. Ou seja, a influência cultural é muito mais intensa e
duradoura do que a influência biológica.
Já se perguntou o porquê de o
Brasil ser o país do futebol? Porque todos os meninos brasileiros gostam mais
do futebol do que de outros esportes? A resposta é encontrada no fenótipo. A
cultura faz com que se goste mais da bola nos pés do que dos saltos ornamentais.
Mas será que todos os brasileiros já nascem com um genótipo favorável ao
futebol? Não! E o grande desafio na iniciação esportiva é fazer com que todos
tenham acesso ao máximo de modalidades esportivas para que se descubram. Não
existe só futebol, vôlei, handebol e basquete. Há vida além disso! Mas o
problema está na dificuldade de se introduzir esportes pouco populares, (que
por sinal não perdem em nada para os muito populares) nas escolas,
universidades, clubes, academias, e também na dificuldade de se criar espaços
públicos para uma modalidade impopular. Só se vê quadra! Onde estão as pistas
de atletismo?
A iniciação esportiva, portanto,
é o primeiro contato, geralmente quando ainda criança, de uma pessoa com uma
modalidade esportiva. Mas será que todos já começam jogando? Também, não. Na
iniciação as modalidades fundamentais são a ginástica, que dará toda a base de
saltos e rolamentos; e o atletismo, que dará a base da corrida e do arremesso. Dessa
forma, o indivíduo que está bem fundamentado é capaz de praticar qualquer
modalidade que exija a corrida, o arremesso, o salto, e o rolamento
simultaneamente sem dificuldades. É claro que a ginástica e o atletismo darão
outras bases além das citadas anteriormente, na verdade darão base para a vida,
disciplina, concentração, determinação e muitas outras habilidades que cooperam
para o sucesso pessoal e profissional. Pena
que no decorrer da vida são poucos os que permanecem com a prática dessas
modalidades fundamentais. Talvez por falta de tempo, mas principalmente porque
a mídia e a cultura impulsionam o brasileiro a levar para a vida inteira apenas
a “pelada” do fim de semana, o vôlei na praia durante o verão e a musculação
pra ficar sarado.

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